Para dizer o mínimo. Vendo as imagens de uma cidade parcialmente submersa a mercê das chuvas, fiquei pensando que, passados mais de vinte anos (o tempo que estou fora do país), nada do que disserem irá me convencer de que São Paulo está melhor do que quando saí.
Acredito que, em muitos aspectos, até piorou. Durante este período, creio, a cidade ficou sob a direção de quatros prefeitos: Erundina, Marta, Pitta (que o bom Deus o tenha) e, atualmente, Gilberto Kassab.
A triste verdade, é que nunca houve por parte de quem quer que estivesse no comando da Prefeitura um planejamento sério à longo prazo para resolver os sérios problemas causados pelo “crescimento” desordenado da metrópole.
São Paulo pode até ser a locomotiva do país, entretanto, seus políticos continuam sendo tão ou mais míopes do que aquele personagem de desenho animado chamado Mr. Magoo, quando se trata de planejamento urbano. O setor privado, com raras exceções, segue pelo mesmo caminho.
Tem-se a nítida impressão, observando-se as declarações dos paulistanos sobre os graves problemas da cidade, sejam eles na área habitacional, do transporte público, de segurança ou na falta de uma drenagem apropriada, que muitos estão resignados com a própria sorte.
Ou seja, para o cidadão comum, que depende muito do precário serviço público, os políticos, tanto da Cidade como do Estado, estão mais preocupados com suas próprias carreiras, e não em encontrar soluções para os problemas que a cidade enfrenta diariamente. Vejam, por exemplo, o caso do atual governador do Estado que largou a prefeitura e está usando o Palácio do Morumbi como trampolim politico.
O prefeito Kassab, numa entrevista coletiva o ano passado, disse que “tudo foi feito para resolver o problema das enchentes”. Será que ele realmente acredita nas próprias palavras?
Ele mencionou que vários piscinões estavam funcionando e aguentaram bem as chuvas. Será que o prefeito é cego?
Não percebeu que a cidade ficou completamente paralisada, num caos total? Uma comunidade inteira na Zona Leste segue há mais de quatro semanas praticamente submersa em excrementos.
Isto, para ficarmos em somente um exemplo.
A mídia deveria aproveitar esta ocasião para mostrar o contraste entre estes moradores, que tiveram suas precárias habitações inundadas e os ricos que moram nos condomínios fechados, expectadores do caos nas suas televisões de plasma.
Mostrariam, assim, o contraste dos serviços públicos oferecidos aos mais influentes, que muitas vezes pagam menos impostos do que os cidadãos da periferia, mas recebem um servico infinitamente superior.
Quando Morava em São Paulo, na década de 80, eu, juntamente com um amigo, costumávamos debater muito a situação da cidade.
Na época jogávamos futebol nas várzeas paulistanas e dependíamos muito do transporte público. Costumávamos jogar em bairros bastante afastados do centro. Notávamos a precária infra-estrutura dos bairros periféricos.
Diferentemente dos economista que cunharam o termo Belindia (imposto da Bélgica para serviços da India) para mostrar o peso da carga tributária no Brasil em contraste com a precariedade dos serviços públicos oferecidos. Dizíamo que São Paulo nada mais era do que uma África melhorada. Sempre citávamos a cidade de Johanesburgo como exemplo.
Sabíamos que para os padrões africanos esta era a cidade mais desenvolvida do Continente. As chuvas que caem em S. Paulona cidade desde o mês de dezembro, mostram que estávamos com razão. São Paulo não passa mesmo e de uma Johanesburgo melhorada!
PS:- Outro dia me peguei cantanto o refrão de uma famosa canção do cantor/compositor/escritor/dramaturgo Chico Buarque e pensei exatamente no prefeito. Assim como a Geni, no aniversário de 456 anos de S. Paulo, ele bem que merecia o mesmo que a personagem da música pelos serviços medíocres que sua administração vem oferecendo à população.

Edson Cadette