Meus amigos e minhas amigas.

Após 126 anos da Abolição da escravatura no Brasil, apesar de incomensuráveis números de organismos de defesa do negro – todas patrocinadas por governos e partidos políticos – o racismo, a discriminação, a segregação e a exclusão do negro ainda é um caso recorrente.

Os lamentáveis episódios envolvendo torcedores racistas tem levantado essa questão, mas esses organismos de defesas do negro afloram com as mesmas frases panfletárias e discussões batidas e ultrapassadas.

Propostas, projetos e motivações para a erradicação do racismo no país ficam relegados a um segundo plano. Também não interessa a esses vendilhões da raça combater o racismo. Eles viveriam de que? Ganhariam notoriedade sobre o que?

O racismo que vem da arquibancada tem suas consequências, digamos conscientizadora. Muitos atletas mestiços – que até então não tinham a consciência da raça – acordaram para o fato de ser negros. Lamentavelmente foi necessário uma banana atirada no gramado e um grito de "macaco" vindo das arquibancadas, para que muitos dos "mulatos claros" percebessem a sua negritude.

Inúmeros são, também, os negros que saem em defesa de atos de racismo de amigos brancos com alegação de que "foi um deslize".

O caso mais discrepante foi o do técnico Wanderley Luxemburgo, do Flamengo. Depois de defender a torcedora gaúcha que xingou o Goleiro Aranha de "macaco", ele confessou que "os negros amigos dele não se incomodam em serem chamados de negão". Gente! O Wanderley Luxemburgo é branco?

Outra discrepância: um grupo de vizinhos negros da torcedora gaúcha foi a imprensa defender a racista. "Ela estava no lugar errado e na hora errada"disse um deles. Há algo mais terrível que isso!

Por defender minhas ideias contra o uso da causa negra, para benefício próprio, fui execrado, xingado e discriminado pelos meus próprios iguais. Meu nome foi retirado das ditas "listas negras" de entidades diversas. Até amigas e amigos negras excluíam-me dos seus mailings. Fica patenteado nesses inúmeros casos que o problema do negro no Brasil é interno.

Nós somos os nossos próprios problemas.

Volto ao caso do Ministro Joaquim Barbosa que foi insultado e, até ameaçado de morte, por um líder negro de certo partido político. E muitos outros movimentos negros do mesmo partido político – e até parlamentares negros – foram insuflados contra o ministro por ter quebrado paradigma ao mandar para a cadeia uma quadrilha de homens brancos ditos "ilustres". Antes, do Ministro Joaquim, cadeia era exclusivo para os negros.

Haverá um dia, espero que não seja muito distante, que nós, os negros brasileiros, seremos os gestores únicos da sua negritude. Sem a necessidade de partidos políticos, bananas e gritos demacacos sobre nossos entendimentos da raça. E de resistência!

Abraços a todos.

Flávio Leandro     

 

Flávio Leandro