Manhattan, Nova York –  Peço desculpas pela minha ignorância relacionada a história de Zumbi dos Palmares. Porém, peço desculpas, principalmente, pela minha total passividade em assimilar, sem muitos questionamentos, durante as décadas em que morei no Brasil, o papel de subalternidade ao qual  fui submetido. Por causa disso a minha total aceitação da história oficial sobre os mais de 350 anos de escravidão, e o meu total desconhecimento de quem realmente foi Zumbi dos Palmares.

É verdade que fui instruido dentro de centros de educação não para questionar, mas sim para aceitar a história oficial, aceitando com isso minha própria inivisibilidade e tambem a dos meus antepassados e suas lutas sob a sombra do português e do seu chicote. Esta aceitação me levou tambem a não ver a humanidade de milhões de africanos tranformados em escravos no Brasil.

Aceitei o papel de cidadão de segunda classe fruto de um passado histórico vergonhoso segundo as instituições de ensino. Diferentemente dos judeus que buscam através de livros, filmes, debates etc. entender o que foi o holocausto na Europa, nós, no Brasil, simplesmente apagamos os 350 anos de história como se a escravidão fosse somente uma pequena nodoa sem importancia na história brasileira.

No Brasil ainda est disseminada a ideia (errônea) de que os africanos, e depois os negros brasileiros tranformados em escravos, foram os cupados pelas nossas mazelas históricas e as atuais.

As instituições de ensino que frequentei me ensinaram a não reconhecer a importancia do passado histórico brasileiro associado aos 350 anos de escravidão e o que esta nefasta instituição significou para os milhões dos nossos ancestrais que morreram labutando para a formação do arcabouço brasileiro.

Recentemente foi celebrado timidamente em partes do país o 20 de Novembro em homenagem a Zumbi dos Palmares. A resistencia por grande parte da nossa sociedade a este feriado mostra a mentira da nossa diversidade étnica. Mostra tambem que histórias associadas aos negros ainda não são aceitas como parte importante da nossa história. 

Segundo levantamento do IBGE menos da metade dos mais de 5 mil municípios celebram esta importante data. Isto dá um ideia de que o Brasil, ao invés de “desenterrar” mais informações sobre seu passado escravocata joga mais terra tentando distanciar-se o máximo deste passado que insiste em mostrar sua cara.

Pouco conhecemos sobre o Quilombo dos Palmares, bem como pouco conhecemos de Luiz Gama, dos irmãos  Rebouças, Henrique Dias, Anastácia etc. Sempre houve por parte da história oficial do Brasil uma enorme preocupação em ofuscar, ou como no caso do nosso maior escritor, Machado de Assis, embranquecer o nome destas ilustres pessoas, tentando afirmar com isto que a contribuição negra para a civilização brasileira foi somente o trabalho braçal.

O Brasil nao vê hipocrisia em celebrar a historia dos Bandeirantes que nada mais foram do que caçadores de escravos fugidos e assassinos de índios, ou celebrar as famílias quatrocentonas do interior de São Paulo que nada mais eram do que senhores de escravos. Porém, a história se torna diferente quando é para celebrar alguem que lutou contra a instituição que não somente dominou o país durante quase 400 anos mais tambem foi o óleo que lubrificou todas suas instituições.

Edson Cadette