S. Paulo – A direção da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), corrente política das lideranças negras ligadas ou próximas ao PC do B, divulgou nota em que parabeniza a nova ministra da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros, e diz reconhecer nela “legitimidade e mérito para liderar um processo de aprofundamento e implantação objetiva das políticas de igualdade racial”.
“Na qualidade de força social comprometida com a igualdade racial e com o combate ao racismo, trabalharemos para o fortalecimento, estabilidade e sucesso da SEPPIR, pois acreditamos que seja um importante instrumento e tem dado contribuições para emancipação da população negra do julgo do racismo”, afirma a Nota.
A manifestação da UNEGRO é a primeira depois do anúncio oficial do nome da socióloga pela presidente eleita Dilma Rousseff. A direção unegrina fez chegar, por meio do presidente do Partido, Renato Rebelo, suas preferências para a SEPPIR – o cantor, empresário e vereador paulistano Netinho de Paula (candidato derrotado ao Senado por S. Paulo, com mais de 7 milhões de votos), a cantora Leci Brandão, eleita deputada estadual, e a vereadora Olívia Santana, de Salvador.
Segundo dirigentes, Dilma teria expressado simpatia por Leci e Olívia, por preferir uma mulher para ocupar a SEPPIR, e como parte da estratégia de dar maior peso feminino na sua equipe de ministros, porém, acabou prevalecendo a impressão causada por Luíza Bairros – ex-dirigente nacional do MNU e pertencente ao grupo político do deputado federal Luiz Alberto (PT/BA) – e a influência do governador baiano Jacques Wagner, avalista da indicação.
Sem conseguir impor os nomes de sua preferência, a UNEGRO garante que não apenas apóia a nova ministra, como, por meio do seu coordenador geral, historiador Edson França (foto), anunciou que deverá procurá-la para expressar esse apoio e apresentar propostas para a gestão.
As propostas começam pela defesa da implantação integral do Estatuto da Igualdade Racial e a cobrança para que o Governo faça um esforço para a aprovação do PL 3627/04, que institui o sistema especial de reserva de vagas para estudantes egressos de escolas públicas, negros e indígenas nas instituições de ensino superior.
A Nota dos negros do PC do B também defende o avanço na titulação e investimentos sociais nas terras de quilombos, medidas concretas para diminuir o alto número de mortes violentas de jovens negros nos grandes municípios do Brasil, recursos para a implantação da Lei 10.639/2003; e a reestruturação da SEPPIR, “capacitando-a física e institucionalmente para dar conta dos novos desafios que se avizinham”.
“Consideramos extremamente importante a presidência exercida por uma mulher enfrentar os persistentes mecanismos que impõem às mulheres negras a base da pirâmide social brasileira”, conclui a Nota.

Da Redacao