S. Paulo – Lideranças da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), corrente política do Movimento Negro de filiados ou ativistas próximos do PC do B, reunidos na Plenária Nacional iniciada na sexta-feira (16/07) e encerrada neste domingo (18/07), lançaram a “Carta de S. Paulo”, pregando voto na ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, nas eleições de outubro.
Segundo a UNEGRO, os avanços obtidos nos últimos anos como a construção de uma Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a implementação do PROUNI, a regularização e titulação de dezenas de comunidades remanescentes de quilombos bem como a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial “que consolida nossas demandas como políticas de Estado”, estarão ameaçadas com a eleição do candidato tucano, o ex-governador José Serra.
“Esse projeto pode ser ameaçado com a eleição do PSDB/DEM, herdeiros da era FHC, e forças políticas comprometidas com o capital financeiro e defensoras da criminalização da juventude através da redução da maioridade penal e do extermínio físico deste segmento. A experiência do PSDB/DEM no estado de São Paulo demonstra esta linha política. São ferrenhos defensores da terceirização das ações sociais do Estado, transformando-as em instrumentos de repasse de verbas públicas para instituições privadas, aprofundaram a falência da educação pública, reprimiram os movimentos sociais com extrema violência”, afirma a Carta, aprovada por unanimidade pelos militantes da Plenária batizada de Nelson Mandela, em homenagem a data de aniversário do líder sul-africano, que aconteceu neste domingo (18/07).
Segundo o coordenador geral da UNEGRO, Edson França, a Plenária realizada na Assembléia Legislativa, reuniu lideranças de 15 Estados e aprovou o documento “Por um Projeto de Desenvolvimento Nacional: Negros e Negras compartilhando o Poder”.
Espaço na Afropress
A partir desta quarta-feira (21/07), a Afropress passará a tratar semanalmente das Eleições/2010, garantindo espaço aos candidatos negros e anti-racistas, independente de Partidos, que se comprometam com a defesa da reforma do Estatuto da Igualdade, que será sancionado na terça-feira pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva; com cotas para negros e indígenas e ações afirmativas na Educação e no Mercado de trabalho; e campanha de denúncia dos assassinatos de jovens negros e pobres em S. Paulo.
A série de entrevistas será iniciada com candidatos negros e anti-racistas a deputados estaduais por S. Paulo. Para ocupar o espaço basta que os candidatos façam contato com a redação de Afropress diretamente ou por meio de suas respectivas assessorias.
Leia, na íntegra, a Carta de S. Paulo
CARTA DE SÃO PAULO
Nos seus vinte e dois anos de existência a UNEGRO vem pautando sua atuação no combate o racismo em todas as suas formas de manifestação, particularmente as ações sistêmicas que impedem o usufruto pleno dos direitos de cidadania. A entidade expandiu-se e hoje está organizada em vinte e cinco estados. Consolidou-se como uma das principais alternativas de luta da população negra contra as opressões de raça, gênero e classe, sempre em harmonia aos princípios de sua fundação.
Uma das faces dessa luta é a superação do Estado Mínimo, parte integrante do processo de mundialização do capital sem as barreiras dos outrora fortes Estados Nacionais. A face mais cruel dessa globalização conforme defendia o geógrafo Milton Santos é a perversidade com que trata as populações pobres, não brancas e de países periféricos em todo o mundo. O neoliberalismo intensifica o racismo, as exclusões, renova disparidades, cria novas desigualdades, esmaga as realidades nacionais.
Por estes motivos, a UNEGRO sempre foi parte da trincheira de resistência global aos ataques do capitalismo neoliberal nas diversas nações sul-americanas e africanas. No Brasil, sempre organizou a população negra na criação de alternativas a este perverso projeto.
Assim, iniciamos com a eleição de Lula em 2002, um novo ciclo de mudanças no país que redefiniu o papel do Estado, agora não mais mínimo, para o atendimento às demandas da população represadas por mais de uma década. Começou a ser delineado um projeto de desenvolvimento nacional centrado no crescimento econômico associado à distribuição de renda, na diminuição da pobreza e elevação dos mais pobres às classes consumidoras.
Conseguimos também, construir uma Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, implementar o PROUNI, regularizar e titular dezenas de comunidades remanescentes de quilombos e aprovar instrumentos com o Estatuto da Igualdade Racial que consolida nossas demandas como políticas de Estado.
Entretanto, esse projeto pode ser ameaçado com a eleição do PSDB/DEM, herdeiros da era FHC, e forças políticas comprometidas com o capital financeiro e defensoras da criminalização da juventude através da redução da maioridade penal e do extermínio físico deste segmento. A experiência do PSDB/DEM no estado de São Paulo demonstra esta linha política. São ferrenhos defensores da terceirização das ações sociais do Estado, transformando-as em instrumentos de repasse de verbas públicas para instituições privadas, aprofundaram a falência da educação pública, reprimiram os movimentos sociais com extrema violência.
Cientes dos desafios postos no cenário eleitoral estamos convictos de que precisamos avançar ainda mais nas conquistas para a população negra, realizar transformações estruturais necessárias à superação do racismo e das desigualdades sociais, aprofundar os mecanismos de participação democrática da população. Dessa forma, a UNEGRO resguardada sua autonomia como entidade suprapartidária do movimento negro aponta o grande perigo representado pela eleição de um candidato representante do projeto neoliberal capitaneado pela coligação PSDB/DEM e defende a eleição de Dilma como a primeira mulher presidente da República para aprofundar o ciclo de mudanças iniciados nos dois mandatos da era Lula.
Como herdeiros de Zumbi e Dandara, acreditamos e lutamos por um mundo onde não haja exploradores e explorados, nem senhores e nem escravos. E isto se faz com rebeldia.
REBELE-SE CONTRA O RACISMO!!
4ª PLENÁRIA NACIONAL DA UNEGRO – NELSON MANDELA
SÃO PAULO, 18 DE JULHO DE 2010.

Da Redacao