Brasília – A União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), a corrente política dos negros filiados ou próximos ao PC do B, encerrou neste domingo (13/11) Congresso de quatro dias, com a decisão de protocolar no Palácio do Planalto Carta à Presidente Dilma Rousseff pedindo maior participação de negros no Governo.
Com a saída de Orlando Silva, exonerado do Ministério do Esporte acusado de envolvimento no esquema de desvios de recursos do Programa Segundo Tempo, não há mais nenhum negro ocupando Ministério em Brasília. É a primeira vez que isso acontece desde os dois primeiros Governos do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando eram quatro os ministros negros na Esplanada.
No momento, a participação negra foi reduzida à duas Secretarias com status de Ministério: a Secretaria de Relações Institucionais, ocupada por Idely Salvatti, que não tem qualquer histórico de participação na luta contra o racismo e pela igualdade, e a própria SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), cuja titular é a socióloga Luiza Bairros.
Congresso
O 4º Congresso da UNEGRO iniciado na última quinta-feira (10/11) contou com a participação de 700 delegados (300 a menos do que o previsto pela própria organização), representando 23 Estados.
Segundo o coordenador geral da UNEGRO (e membro do Comitê Central do PC do B), historiador Edson França (foto), é preciso lutar para que haja mais negros no Governo Dilma e se opor a mudança na Esplanada dos Ministérios, que signifique a retirada do status de ministério da SEPPIR, conforme estaria sendo cogitado pela Presidente.
Dilma estaria pretendendo unificar em um único Ministério dos Direitos Humanos as Secretarias das Mulheres, dos Direitos Humanos e a própria Secretaria da Igualdade Racial.
“Para nós é um rebaixamento. Achamos isso um atraso e vai tirar o nosso protagonismo na articulação das políticas”, afirmou França, ao defender que a SEPPIR deve garantir a transversalidade das políticas voltadas para negros em áreas como a Saúde, Educação e Desenvolvimento Social.
O coordenador geral da UNEGRO também reclama das consequências do contingenciamento de emendas, que representou corte orçamentário de R$ 50 milhões em todos os ministérios) e também do orçamento da SEPPIR para 2012: R$ 31,31 milhões. O Programa de Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial terá R$ 75 milhões: “O valor é irrisório”, finalizou.

Da Redacao