S. Paulo – A Igreja Universal, que acaba de perder o recurso pelo qual tentava impedir o direito de resposta às religiões de matriz africana – diariamente demonizadas pelos bispos da denominação – resolveu apelar, desta vez não mais para a justiça, mas para a calúnia ao Secretário de Justiça e Defesa da Cidadania, Hédio Silva Jr.
O Jornal “Folha Universal”, que tem sua linha editorial definida pelo bispo Edir Macedo, investiu contra o Secretário pelo fato de ter sido ele, antes de assumir a Secretaria, por intermédio do CEERT e do Intecab a entrar com ação contra a Universal exigindo da TV Record e TV Mulher o direito de defesa às religiões de matriz africana.
Na semana passada o Tribunal Regional Federal da 6ª Região deu ganho de causa aos sacerdotes e sacerdotisas de matriz africana. Por 3 votos a zero os desembargadores derrubaram a tentativa da Universal de impedir o direito de resposta. Os advogados da Igreja recorreram ao Supremo Tribunal Federal.
Sob o título “Justiça com as próprias mãos?”, o jornal do bispo distorce os fatos e diz que o processo “coloca em xeque a liberdade de expressão no Brasil”, acrescentando que a ação quer obrigar as emissoras a transmitir um programa sobre umbanda e candomblé.
O jornal acusa Hédio – um dos mais destacados militantes do Movimento Negro brasileiro – de ser pouco expressivo nos tribunais e de exercer influências no Poder Judiciário.
Surpreendentemente, a deputada estadual Ana Maria Martins, do PC do B, faz coro ao ataque da Igreja Universal, e acusa Hédio de pretender usar os cultos afro-brasileiros para montar sua plataforma política de 2.006. “Tenho receio que ele use o cargo a favor da política, estando sempre na mídia. Ele não está sendo um bom secretário para introduzir mudanças. Todos esperávamos que ele seria um secretário coerente, mas isso não está acontecendo”, diz a deputada fazendo o papel de língua de aluguel da Universal.
A deputada e a Universal acusam ainda Hédio de ter se filiado ao PFL com a intenção de ser candidato a deputado federal e de usar o gabinete para fazer reuniões semanais com representantes de grupos afro-brasileiros.

Da Redacao