Montevidéu – A comunidade negra do Uruguai quer que a data de 3 dezembro seja declarada Dia Nacional do Candombe – dança e ritmo musical negros, que tem raízes na cultura local. Os negros uruguaios representam cerca de 20% da população.
A proposta foi apresentada pelo deputado negro Edgardo Ortuño, que faz parte da Frente Ampla, coalização que governa o país. O parlamentar explicou que a data foi escolhida por sua relação com o Médio Mundo, um antigo edifício habitado por afro-descendentes que fica na rua Cuareim, bairro ao sul de Montevidéu, demolido pelo regime militar uruguaio há quase três décadas.
A demolição do edifício, depois de tombado como patrimônio cultural, foi entendida pela população como um ato discriminatório para distanciar os negros das zonas centrais de Montevidéu. No dia 3 de dezembro de 1978 soaram espontaneamente dezenas de tambores em uma “chamada de duelo”, pela última vez no interior do Médio Mundo, enquanto muitos velhos habitantes choravam pela despedida.
Segundo o deputado Ortuño, a celebração anual será o marco da valorização e difusão do Candombe e o reconhecimento da “contribuição da população afrodescendente a construção nacional, e de sua contribuição à formação da identidade cultural do Uruguai”.
No século passado, o Médio Mundo se tornou um centro de festejos de Carnaval, quando ocorria o Desfile de Chamadas, um cortejo sonoro anual (existente até hoje) com quase 50 comparsas negros, com suas “cordas” de tambores, bailarinas, bandeiras, estandartes e personagens.
Ao final da Chamada, o edifício recebia milhares de pessoas de Montevidéu e turistas que dançavam o Candombe até a madrugada.
Como parte do pedido do projeto de lei, no próximo dia 3, centenas de tambores rodearão o Palácio Legislativo em uma festa para respaldar o pedido de que se declare o Dia do Candombe.

Da Redacao