S. Paulo – Um dia depois de anunciar a adoção do sistema de cotas para negros e indígenas e pessoas de baixa renda e com deficiência física, no Curso de Mestrado para Direitos Humanos, previsto para começar o ano que vem na Faculdade de Direito, a Universidade de S. Paulo – USP – agora quer “inventar” uma nova terminologia, apenas para não admitir que aderiu ao sistema.
Ontem, a pró-reitora de pós-graduação, Suely Vilela, do Conselho Universitário, que é o órgão máximo da instituição expressou o pensamento dos setores mais conservadores da Universidade que resistem à adoção de ações afirmativas. “A reserva de vagas que não considera o mérito acadêmico não será introduzida na USP”, afirmou. Em favor do argumento ela disse que o sistema que reservará cotas para negros, indígenas e alunos de baixa renda no Curso de Direitos Humanos não pode ser considerado “cota” porque os beneficiados terão que passar pelas mesmas avaliações que os demais – as provas de língua estrangeira e de conhecimentos específicos são eliminatórias.
No Brasil já são 17 as Universidades Estaduais e Federais que adotaram o sistema de cotas para negros e indígenas. Em nenhuma delas, como se sabe, há desprezo ao mérito acadêmico. Pesquisas realizadas nessas Universidades têm demonstrado que não há diferenças de rendimento entre alunos entraram pelas cotas e os não cotistas. Ao contrário, em alguns casos o rendimento escolar dos cotistas é até superior.
Segundo o jurista Fábio Comparato, um dos coordenadores do curso, o sistema que será adotado na Faculdade de Direito é sim o sistema de cotas, independente da divergência conceitual que persiste.

Da Redacao