Antonio Pompêo, um amigo do coração.

Antonio Pompêo que nos deixou tão de repente foi um amigo irmão que colocou seu talento e seu comprometimento a disposição de todas importantes causas. Entre elas a nossa causa, a causa do negro brasileiro.

Foi com o amigo Pompêo que idealizamos o primeiro Troféu Raça Negra no ano 2000, pelo seu inconformismo da não presença do negro nas comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil.

Como seu primeiro diretor artístico e musical, os negros paulistas e brasileiros ocuparam o Teatro Municipal de São Paulo. Jamelão, Ruth de Sousa, Paulinho da Viola, Antônio Pitanga, Benedita da Silva, Edvaldo Brito, e tantos outros, de forma garbosa e com galhardia se abraçaram e entregaram ou receberam o bonito troféu, num reconhecido e devido merecimento da sua gente, do seu povo.

Jamelão, acompanhado ao piano pelo maestro Josué, da Orquestra Filarmônica Brasileira, cantou para todos até as cinco horas da manhã. Às seis, Pompêo e todos os demais – as mulheres com as sandálias nas mãos – deixavam, sob aplausos, o Teatro Municipal.

Eclético, Pompêo foi figura de destaque na construção da Universidade Zumbi dos Palmares e foi ali e sob os auspícios dela que, como pintor e artista plástico extraordinário, realizou a primeira exposição da sua obra fantástica, os Orixás.

Pompêo com sua discreção e ensinamentos corretos ajudou a construir a grande travessia que tem sido a trajetória do artista negro brasileiro e tocou todos os corações com sua bondade e capacidade de perdão.

Sempre junto, sempre presente, sempre pronto e disponível para todas as lutas. Enfim um amigo do coração.

Valeu, Zumbi Antonio Pompêo!!!!
Valeu amigo do coração!!!!

Descanse em paz.

 

José Vicente