Vivemos em tempos de perplexidade. Cada vez mais estranho a postura de pessoas que julgava inteligentes. Dizem-se de esquerda, que são socialistas, mas ficaram esses anos todos assistindo à derrocada do país, convivendo com a corrupção aguda e vendo a entrega das nossas divisas para outros países em empréstimos absurdos feitos através do BNDES, enquanto o desemprego campeava e o povo sem saúde e educação de qualidade.

Isso é socialismo? Não, isso é populismo, oportunismo e a formação de uma teia de poder forjada nas estruturas das instituições em benefício de um grupo. Esses agora gritam e dizem que existe um golpe que tirou a presidente. 

Por que esses mesmos não gritaram em cada momento em que se sabia dos escândalos, das tramóias, dos desmandos e aproveitamento de cargos? Por que ficaram quietos e não exigiram de seus comandantes ações claras e honestas em benefício desse povo que eles dizem defender? 

Por que agora esperneiam com as demissões anunciadas nas bases administrativas do governo? Por que gritam que não há mulheres e negros nos cargos de primeiro escalão? Gritam agora por tudo, mas se calaram por longos períodos, por estarem cegos ou por estarem sendo beneficiados.

Sinceramente, não dá para entender como alguém pode defender alguém que te rouba, te engana e leva teu país para o descrédito, enquanto a maioria luta para sobreviver. Está tudo invertido, pois esse discurso de direita e esquerda é vazio. O que está agora em jogo é tentar um levante, com mudanças de rumo e usando o direito, não a direita. 

As medidas de mudanças deverão incomodar muitos interesses, pois não haverá ajuste de contas públicas sem alguns prejuízos individuais, como a revisão do cálculo da previdência, como o enxugamento de setores e demissões, como o fim de mordomias, que favorecem poucos. 

Essa política cega, em cima de uma seita, vivendo a poesia do passado em que lutaram contra a ditadura começa a se esgarçar. Essa página precisa ser virada, em total respeito a quem dela participou.

Vamos viver o presente, viver o novo tempo de dificuldades e penúrias. Mas com mãos dadas e não levantando uma bandeira contra qualquer movimento que incomode essa filosofia politizada em cima de tudo. 

Nem direita, nem esquerda, vamos pelo direito e pelo desejo de ver o Brasil em direção do desenvolvimento.

Eunice Tomé