Antes, precisamente em 1976, publicou They came before columbus, um detalhado estudo sobre as evidências que, segundo ele, comprovariam a presença cultural e física de africanos no chamado Novo Mundo séculos antes da chegada das caravelas espanholas.
Neste que é referido como o seu principal livro, Van Sertima documenta a presença africana na América pré-colombiana e demonstra de que modo esses africanos teriam chegado ao novo continente. Baseado nos diários de Cristóvão Colombo, ele procura provar que o navegante genovês e seus homens tinham conhecimento desse pioneirismo africano.
E, discutindo ícones, imagens míticas, totens religiosos, referências discursivas e formulações matemáticas da África antiga que encontram correspondência nas culturas pré-colombianas, constrói o argumento da anterioridade da presença africana nas Américas.
Um dos dados apresentados por Van Sertima com vistas à sustentação de sua teoria diz respeito às peculiaridades da arte escultórica desenvolvida pela civilização olmeca, a mais antiga dentre todas aquelas aparecidas na região que hoje identificamos como México e América Central e cujo florescimento, apogeu e declínio se deram por volta do último milênio antes de Cristo e o primeiro milênio da era cristã.
Os traços negróides bastante acentuados das chamadas cabezas colosales, sobretudo aqueles que correspondem às linhas dos narizes e dos lábios destas gigantescas esculturas em basalto atestariam, para alguns investigadores, indícios dessa anterioridade, relacionando o fato à possibilidade de que antigos habitantes da África teriam chegado às terras centro-americanas há milhares de anos, valendo-se da navegação através do oceano Atlântico.
Ainda que de forma precária, concorrem para a tentativa de sustentabilidade deste argumento, referências feitas a mitos do oeste da África, especificamente aqueles que tratam de viagens realizadas por antigos povos africanos através do oceano na rota do Ocidente. Há quem argumente inclusive que Pacal Votán, soberano e guerreiro sagrado da civilização maia teria sido um sacerdote negro vindo da Líbia com a missão de fundar cidades e construir templos na América Central, no México e em Cuba.
Especulação à parte, convém salientar que a descoberta de sua cripta funerária em novembro de 1952, depositada no interior de uma pirâmide na selva mexicana de Chiapas, alteraria a diferenciação estabelecida pela ciência arqueológica entre as pirâmides americanas e as egípcias, quando até então as primeiras eram classificadas como templos e as segundas como tumbas, alimentando uma tendência que tenciona encontrar vinculações entre a antiga civilização maia e a egípcia.
Outras correntes teóricas defendem percursos ainda mais diversificados, buscando-os até mesmo em supostos continentes desaparecidos. Em contrapartida, não são poucas as teorias científicas que, no afã de tentar explicar a origem do homem americano, ignoram postulações como as de Ivan Van Sertima e rechaçam tanto a procedência africana como a européia.
Fontes:
LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
Queiroz, Amarino Oliveira de. As inscrituras do verbo: dizibilidades performáticas da palavra poética africana. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Letras. Universidade Federal de Pernambuco, 2007.

Rogério José de Souza