S. Paulo – Animados com a decisão do Supremo Tribunal Federal que livrou da condenação por quadrilha os réus do mensalão – incluídos o ex-ministro José Dirceu, e o ex-presidente e tesoureiro do Partido, respectivamente José Genoíno e Delúbio Soares, todos atualmente cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda – grupos que já faziam ataques à figura pública do Presidente do Supremo passaram a um outro patamar na campanha de caráter racista contra Joaquim Barbosa – o primeiro negro a presidir a mais alta Corte do país.

Desde este sábado (1º/03) circula nas redes sociais uma montagem da capa da revista “Veja” que circulou em outubro de 2012, em que Barbosa foi o principal entrevistado. Abaixo da foto do ministro com 14 anos tirada no Colégio Estadual Antonio Carlos, em Paracatu, Minas, onde nasceu, os seguintes dizeres: “O Minino cagado que obrou no Brasil”.

A montagem está sendo replicada em massa, e se tornou um viral – técnica de marketing que tenta explorar redes sociais para produzir aumentos exponenciais de visualização de mensagens na Rede mundial de computadores.

Na capa original de "Veja" a frase é  “O menino pobre que mudou o Brasil”, com o registro da trajetória de Barbosa desde o nascimento, e a história das dificuldades enfrentadas, próprias de uma criança de família pobre e negra do interior do país, até chegar a Presidência do Supremo Tribunal Federal.

Escalada racista

A escalada da campanha racista provocou reações indignadas nas redes sociais. A professora Edna Roland, relatora da III Conferência Mundial contra o Racismo e a Xenofobia, realizada em Durban, na África do Sul, contestou: “Ser de esquerda não é vacina para o racismo! Não tem outro nome para as baixarias que têm sido feitas contra Joaquim Barbosa, não apenas pessoas, mas também instituições. Pode-se concordar ou não com as posições e opiniões do Presidente do STF. Todavia a discordância não significa o direito de ninguém de avacalhar com a figura pública, de usar imagens e palavras de um racismo tacanho, frequentemente para defender o indefensável”, afirmou.

Por sua vez, o fotógrafo e professor Sandro Cajé escreveu na sua rede social: “Essa montagem além de explicitar o racismo de uma parte da “civilização brasileira”, é uma prova contundente de que tanto a esquerda quanto a direita abrigam pessoas com severas deficiências de ordem intelectual, moral e espiritual. E mostra que o reacionarismo é praticado nos meios que se afirmam como progressistas”.

Já o ativista e músico carioca Antonio José do Espírito Santo, o Spírito, desabafou: “E absolutamente sórdido. A se ressaltar que o autor é iletrado pois escreve “minino”, ao invés de menino. Lixo abjeto, é que são estas pessoas”. O ativista cobrou uma reação da militância negra do PT, por meio de seus principais líderes.

 

Da Redacao