S. Paulo – A vereadora Claudete Alves (PT/SP) confirmou por e-mail à Afropress, os termos do acordo com o prefeito Gilberto Kassab (DEM/SP) para a realização da IV Marcha no dia 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra – na Avenida Paulista e adiantou que, além de 10 mil camisetas, trios elétricos e 100 ônibus, o prefeito cedeu ainda 20 mil copos de água, 10 mil lanches, cartazes e banners. “A minha intervenção foi no sentido de apoiar a organização suprapartidária do movimento negro. Lamento as divergências entre alguns setores. Todo o material foi distribuído entre todos sem qualquer tipo de discriminação”, afirmou. Claudete disse ter estranhado os comentários sobre o acordo e que chamou a atenção de todos para a unidade em torno do evento. As camisetas pretas com o logo da Marcha levavam também o logo da Prefeitura de S. Paulo.
As lideranças do Movimento Brasil Afirmativo afirmam terem sido impedidas de subir ao trio elétrico – controlado pela Marcha e lideranças evangélicas que tiveram permissão para isso tiveram de tiver as camisetas da Parada Negra que vestiam para apresentações musicais. Também não tiveram direito à palavra. A ordem dada aos seguranças pelos que controlavam o principal carro de som era não permitir o acesso.
A Afropress contatou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura para falar do caso, porém, não teve resposta até o fechamento desta edição.
Desde agosto
Também por e-mail à Afropress, o assistente parlamentar da vereadora, Cláudio Thomas, contou que o acordo – mantido em sigilo até as duas últimas semanas que antecederam à manifestação -, vinha sendo negociado desde agosto e de como se deram as tratativas envolvendo os organizadores da Marcha, a vereadora e o prefeito. No acordo, também foi negociada a utilização do Vão do MASP e de duas faixas da Avenida Paulista, até então vetadas à manifestações públicas.
Thomas disse que, uma vez fechado o acordo, o gabinete da vereadora, por meio dele próprio, ofereceu as lideranças que organizavam a Parada Negra 50 ônibus, proposta que foi rejeitada pela direção do Movimento Brasil Afirmativo, por não ter sido consultada sobre os termos e a oportunidade do acordo com o prefeito, bem como por ter sido sistematicamente excluída de todos os preparativos para a manifestação. “Quiseram nos dar um “cala boca”. Como não conseguiram lotar os ônibus, quiseram nos transformar em agenciadores para levar gente para a Paulista. Não achamos que fôsse esse o nosso papel. Queremos ser respeitados da mesma forma como respeitamos a todas as entidades. Ao contrário do que algumas lideranças pensam, tempo de militância não outorga a ninguém o título de posse do Movimento Negro “, afirmou João Bosco Coelho, da Coordenação do Brasil Afirmativo.
Negociação
Segundo Thomas, que diz ter participado de todo o processo de negociação para a estrutura da atividade, o projeto da IV Marcha chegou ao gabinete da vereadora em agosto, e foi encaminhado pela vereadora por causa da importância do ato. “Já no final de setembro, nossa assessoria participou de uma reunião na Coordenadoria do Negro (CONE), ocasião em que foi pautada a questão da Marcha na Avenida Paulista e de onde saíram com a informação de que havia R$ 50 mil Reais para uma atividade específica de 20 de novembro e que a CONE teria problemas em apoiar o evento na Paulista por questões administrativas”.
Thomas contou como se deram os primeiros contatos. “No início de setembro tínhamos informação de que havia ainda inúmeras pendências em relação à estrutura para a realização da atividade na Paulista. Alertada, a vereadora solicitou uma audiência com Kassab, em caráter de urgência, na qual apresentou o projeto da Marcha ao prefeito”
Segundo ele, Claudete lembrou ao prefeito que a Lei 13.707 que institucionalizou o 20 de Novembro como feriado, no seu artigo 2º, incluiu a data no calendário municipal de eventos, garantindo sua celebração pela Prefeitura. “Diante do exposto, o prefeito autorizou seu chefe de gabinete a executar o projeto que tínhamos na mão”, acrescentou.
Logo em seguida aos entendimentos, o projeto foi adequado e renegociado. “Houve realmente uma intervenção da vereadora Claudete junto ao prefeito de São Paulo, dentro das qualidades atribuídas ao parlamentar, com o objetivo de garantir uma grande atividade no 20 de Novembro. O mandato da vereadora apenas cumpriu o seu papel de intervir em defesa da população negra, da mesma forma que o cumpriu quando, através de muita luta, garantiu a efetivação do feriado do Dia da Consciência Negra na Cidade de São Paulo”.
O assessor finaliza dizendo esperar que os próximos 20 de Novembro sejam mais estruturados e com muita mais gente na rua. “Que discutamos nossas divergências nos outros 364 dias do ano e que possamos caminhar unidos”, concluiu.

Da Redacao