O que é preciso compreender é que esses espasmos, essa ânsia por representatividade expressa no caso da ministra negra, não são um atributo ingênuo só dos negros.

O país inteiro anseia, de forma quase estúpida por representatividade (temos agora mesmo adoradores de ladrões enchendo ruas).

Luisfeia não foi eleita, escolhida pelos negros, mas pinçada por brancos, para ocupar um ministério, indiretamente ligado ao problema da massacrante exclusão social de negros no Brasil, foi investida do dever de representá-los, com uma sugestão subentendida: "vire-se!"

Não podemos empurrar o problema do racismo para debaixo de um tapete. É isso que os brancos no poder querem.

Claro que a atitude individualista insana de Luisfeia envergonha negros, mas deve envergonhar brancos também (envergonhem-se de Gilmar Mendes de modo igual).

Mas não se deve usar do escapismo na hora de reconhecer que ela foi posta lá por ser negra sim, como pano quente para atenuar o desmonte dos ministérios (ou secretarias de igualdade racial).

Disso tudo ela sabia quando assumiu.

Luisfeia errou, precisa ser criticada, vivamente por negros e brancos. Não é mais hora para cinismos, corporativismos e tergiversações. A roupa suja é de todos e precisa ser lavada nas ruas.

O racismo não é um problema só dos negros. É, igualmente de todos, uma doença do país.

Enquanto "adeptos" brancos continuarem nos chamando de "irmãos negros" do alto de seus saltos altos, distanciadamente, a coisa não vai andar.

Precisamos tomar de vez, negros e brancos é…VERGONHA NA CARA.

Sejamos sérios!

 

 

 

Antonio José do Espirito Santo