Campo Grande/MS – Passados vinte dias desde que foi barbaramente espancado por um segurança das Lojas Americanas, o vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos, ainda não foi operado, embora laudo do Institituto Médico e Odontológico de Campo Grande e radiografias feitas na Santa Casa – para onde foi levado após a agressão – atestem que tem o nariz fraturado em três partes.
Além das lesões no nariz, Márcio (foto) sofreu lesões graves no olho esquerdo e não está enxergando mesmo estando conseguindo abri-lo, segundo informou o irmão Gilberto Fernandes, à Afropress. Fernandes e a família dizem que a agressão ao irmão foi motivada por racismo pelo fato de ser negro.
Fernandes disse que o vigilante também sofreu está com a audição comprometida, em virtude dos socos que recebeu na sala reservada para onde foi levado.
“Ele está muito abatido. Está deprimido. Ontem ele me ligou prá me pedir socorro. “Mano estou muito mal e preciso de você”, foi como me falou”, contou Fernandes, que trabalha como autônomo, e exerce a função de bombeiro hidráulico.
Sem conseguir passar pela cirurgia para reparar as lesões, o vigilante, segundo o irmão, está sobrevivendo à custa de analgésicos para suportar as dores que ainda sente.
Barbárie
O caso aconteceu na véspera da Páscoa, dia 23 do mês passado. Márcio disse que comprou dois ovos de Páscoa para a filha Ana Flávia, de 11 anos, e se dirigia por dentro das lojas Americanas para pegar sua moto quando foi abordado e atacado pelo segurança Décio Garcia de Souza. O vigilante garante haver comprado – e pago – os ovos em outra loja.
Segundo a delegada Daniella Kades, que preside o Inquérito, mesmo com a vítima tendo tido o rosto desfigurado, o agressor alegou “legítima defesa”.
Avaliação
Segundo Fernandes, pela quarta vez, os médicos da Santa Casa informaram que não podem operar o vigilante, sem uma avaliação mais profunda do seu estado de saúde.
Por isso, foram pedidos outros exames que permitam um diagnóstico da situação real do olho atingido e do ouvido lesionados. Para tentar agilizar a cirurgia, segundo Fernandes, a família teve de pedir dinheiro emprestado.
Na semana que vem o vigilante voltará novamente à Santa Casa para saber dos médicos se já pode ser operado.

Da Redacao