Campo Grande/MS – O vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos (foto), foi brutalmente espancado por seguranças das Lojas Americanas de Campo Grande, na manhã deste sábado (23/04), acusado de furto de um ovo de Páscoa pelo qual já havia pago.
O caso lembra o episódio envolvendo o vigilante da USP, Januário Alves de Santana, tomado por suspeito do roubo do seu próprio carro – um Ford EcoSport – numa loja dos supermercados Carrefour, Osasco/SP, em agosto de 2.009.
Pressionado pela repercussão do caso – que ganhou espaço nos jornais e telejornais das principais redes de TV- o Carrefour teve de indenizar Santana por danos materiais e morais, e a Polícia de S. Paulo acabou por enquadrar os agressores por crime de tortura, motivada por discriminação racial, medida inédita no Brasil.
A violência em Campo Grande aconteceu por volta das 09h, quando Souza, depois de ser abordado por um segurança, foi levado para uma sala reservada e espancado barbaramente.
Radiografias feitas na Unidade de Pronto Atendimento Vila Almeida e depois na Santa Casa de Campo Grande, para onde foi levado, e, posteriormente, laudo do Instituto Médico e Odontológico Legal, confirmaram a fratura no nariz e lesões no rosto e na boca que ficaram cobertos de hematomas.
“Ele simplesmente disse “você é um ladrão e merece apanhar” e começou a me bater. Se tivesse perguntado eu chamaria minha ex-mulher Clemilda, que estava lá fora com minha filha, pra explicar tudo”, contou o vigilante ainda sob choque e com o olho esquerdo fechado em virtude dos socos que recebeu. Na segunda, ele deverá ser submetido a uma cirurgia para reparar os ferimentos no nariz e no maxilar.
O caso está registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Campo Grande, que deve instaurar inquérito para apurar os crimes de racismo, lesão corporal, tortura, ameaça e calúnia.
Terror e tortura
Souza disse que havia comprado dois ovos de Páscoa na loja Makro, que fica próximo às Lojas Americanas e combinado de entregar um deles na rua Candido Mariano para a filha de 11 anos, na frente da loja, como presente de Páscoa. “Após dar o presente, resolvi atravessar a loja das Americanas para pegar minha moto, que tinha deixado na rua Dom Aquino. Foi quando fui pego pelo segurança”, contou.
Procurados pelo repórter Vinicius Squinelo, do Midiamaxnews, o Jornal Eletrônico do Mato Grosso do Sul, os responsáveis pela loja não quiseram se manifestar. O gerente da loja, que também não se identificou, mandou dizer, por meio de um atendente, que não ia dar entrevistas e que desconhecia o caso.
Prova
A violência contra o vigilante provocou a revolta da família que disse que irá às últimas conseqüências para que o caso não fique impune. Gilson Fernandes, 39 anos, irmão da vítima, disse à Afropress que a agressão foi motivada por racismo, pois o irmão foi tomado por suspeito de roubo, apenas pelo fato de ser negro.
“Trabalho na área da segurança privada, não se faz uma violência dessas. Acredito que o ponto x desse caso tenha sido a cor da pele do meu irmão. A empresa é responsável pelos funcionários que contrata e nós não vamos deixar esse caso ficar impune. Toda a família está abalada, minha sobrinha de 11 anos, me ligou dizendo que o pai tinha sido espancado. Isso é inaceitável”, concluiu.

Da Redacao