Campo Grande – Passados quatro dias desde que foi barbaramente torturado por um segurança numa sala das Lojas Americanas de Campo Grande, e mesmo com o nariz com fratura em três partes, conforme radiografias e laudo do Instituto Médico Odonlógico, o vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos, ainda não conseguiu ser operado.
Além da fratura, o olho esquerdo de Souza permanece fechado, e há suspeita de que tenha havido comprometido da retina, segundo teme a família.
Na manhã desta quarta-feira (27/04), ele retornou a Santa Casa para uma reavaliação. Tinha a esperança de ser operado, porém, ainda não foi desta vez: os médicos recomendaram que retorne na sexta-feira (29/04), porque ainda não há condições para a cirurgia.
Segundo o irmão, Gilson Fernandes, o vigilante se encontra muito abatido, com muitas dores e passou a ter pesadelos à noite. “Ontem (terça), ele acordou no meio da noite gritando que queriam matá-lo. Não está conseguindo dormir porque, mesmo sob medicamentos muito fortes, as dores são muito fortes”, contou Gilson à Afropress.
Depoimento
Mesmo nestas condições, a delegada que preside o Inquérito, Daniela Kades, o intimou para depor. O vigilante foi a Delegacia acompanhado da advogada Regina Bezerra e repetiu o que vem denunciando à Imprensa. Quando atravessava a loja para pegar a moto, depois de comprar dois ovos de Páscoa, para dar de presente à filha, foi abordado, levado para uma saca e espancado por um segurança.
O agressor, já identificado, como Décio Garcia de Souza, funcionário da empresa S & V Segurança., também foi ouvido e, segundo a família, orientado por advogados, tentou se passar por vítima. De acordo com Fernandes, o agressor disse estar sendo ameaçado por familiares da vítima. “Ele está tentando se fazer da vítima, para que a impunidade acabe prevalecendo”, contou.
Ele reiterou que o irmão foi espancado por ser negro e que a tortura sofrida foi motivada pelo fato de, como negro Márcio, ter se tornando suspeito.
Nesta quarta-feira, os familiares do vigilante protocolaram um pedido junto a Comissão de Direitos Humanos da OAB para que acompanhe a investigação. “Nós queremos é Justiça”, concluiu.

Da Redacao