Campo Grande/MS – Depois de exatos 45 dias, desde que foi atacado por um segurança das Lojas Americanas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos, será submetido à cirurgia para correção das lesões no nariz, fraturado em três partes, em virtude dos socos recebidos.
A cirurgia acontece agora porque os médicos preferiram fazer uma avaliação detalhada das lesões sofridas no olho e ouvido esquerdos, pois temiam que – sem essa avaliação – a cirurgia para correção do nariz pudesse agravar a perda de visão do olho atingido. Um exame para detectar o grau de deslocamento na retina confirmou que não há esse risco, embora ele ainda continue sem enxergar e tendo que usar óculos escuros.
O caso está sendo investigado na Delegacia de Campo Grande. As Lojas Americanas, no primeiro momento em depoimento do seu representante, o advogado Silzomar Furtado Mendonça Júnior, na Câmara dos Vereadores local, alegou que o agressor – Décio Garcia de Souza – “agiu em legitima defesa” e responsabilizou a vítima.
Posteriormente, na Audiência no Senado em Brasília, apesar de tentar se evadir de responsabilidades, diante dos protestos e da indignação provocada por suas declarações, concordou em participar da iniciativa de uma reunião proposta para o próximo dia 15 de junho em Brasília, pelo Ouvidor da SEPPIR, Secretaria Especial de Políticas da Presidência da República, Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior.
Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes e Prestadores de Serviços, José Boaventura Santos, denunciou na Audiência no Senado na semana passada, o agressor, além de não ter sido preso, continuaria fazendo ameaças. Para a família, a agressão foi motivada pelo fato do vigilante ser negro e ter aparência humilde.
Cirurgia
A cirurgia começa às 07h no Hospital Promater, de Campo Grande, e será feita pelo otorrino Hélio Muniz de Souza. Nesta segunda-feira (06/05), Souza passou por exames e o médico o alertou que não pode mais retardar a cirurgia porque corre o risco de ficar com sequelas.
O vigilante foi tomado por suspeito do furto de dois ovos de Páscoa, pelos quais garante haver pago, levado para uma sala – a “Sala do Pânico”, segundo teria lhe comunicado o agressor – e espancado com socos, pontapés e cotoveladas que lhe desfiguraram o rosto.
Ele deverá ficar internado por pelo menos 24 horas e depois o médico recomendou um período de, pelo menos 5 dias de repouso. Por essa razão, ainda não sabe se terá condições de participar da reunião em Brasília marcada durante a audiência no Senado na semana passada que discutiu os casos freqüentes de agressões em lojas, shoppings e supermercados, motivadas por discriminação racial.
Solidariedade
Para fazer a cirurgia, cujo custo está avaliado em R$ 2 mil, o vigilante disse que está contando com a ajuda e a solidariedade das pessoas que acompanham o caso, pois não dispõe de Plano de Saúde. O próprio Sindicato dos Vigilantes de Campo Grande – a que pertence – tomou a iniciativa de contribuir com R$ 1 mil e está em campanha para arrecadar o restante.
Quem quiser contribuir pode fazer o depósito de qualquer quantia numa conta bancária aberta para receber doações. A Afropress resolveu encampar o movimento de solidariedade como parte da Campanha “Chega de violência e impunidade. Queremos Justiça!” e está divulgando o número da conta 955-7, Agência 2224, da Caixa Econômica Federal de Campo Grande.
Márcio disse que prestará contas de cada centavo que for depositado e expressou gratidão pela solidariedade que tem recebido.

Da Redacao