Genebra – A violência contra povos indígenas no Brasil, que este ano, além das crianças guaranis, mortas de fome, em Dourados Mato Grosso, tiveram várias lideranças assassinadas a mando de jagunços e fazendeiros, está sendo denunciada, em reunião da ONU, que acontece hoje (19/07), em Genebra.
Em um prazo de cinco semanas, – junho e julho – quatro indígenas foram assassinados no Brasil, em decorrência da luta pela terra. As duas vítimas mais recentes foram Adenilson dos Santos (Dena), 38 anos, e seu filho Jorge dos Santos, 17, da Nação Truká, que vive em Cabrobó, Pernambuco, mortos por Policiais Militares. Em 2.001, já haviam sido assassinados pela Polícia Militar os Truká José de Nô Félix e seu filho Nilson Félix. Os indígenas acusam como responsáveis pelos assassinatos de Dena e Jorge policiais militares que integram o grupo de extermínio “A Mãe Cria e Nós Mata”.
Segundo, Edilene Truká, do Povo Truká, que habita o Estado de Pernambuco, as denúncias se referem ao seu povo e aos Povos Guarani e Guajajara, que habitam os Estados de Mato Grosso do Sul e Maranhão. As denúncias também serão encaminhadas ao Relator da ONU sobre execuções sumárias, Philip Alston e à Representante Especial da ONU sobre Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, que estará no Brasil, em setembro deste ano.
As perseguições tem se dado também prisões de lideranças. No dia 11, ao prestar depoimento sobre a morte do irmão e do seu sobrinho, o cacique Aurivan dos Santos, conhecido como Neguinho Truká, foi preso pela Polícia Federal.
De acordo com Edilene, a prisão de Neguinho pela Polícia Federal e os assassinatos do seu irmão e sobrinho, fazem parte do processo de criminalização que o Povo Truká passou a sofrer após as ações de retomadas de suas terras tradicionais, nos anos 90.
No Maranhão, também foi morto a tiros o cacique Guajajara, João Araújo, 78 anos. Um dos seus filhos, de 28 anos, também ficou ferido após ataques do fazendeiro conhecido como Milton Careca, invasor da terra indígena. Em Mato Grosso do Sul, Dorival Benitez, do povo Guarani, foi morto e outros cinco indígenas foram feridos. Entre eles estava uma mulher grávida. A morte ocorreu durante reação de fazendeiros a uma retomada de terras dos Guarani.
Informações:
Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Priscila – (61) 21061650/ 9979 6912
Justiça Global , Sandra Carvalho/ Luciana Garcia (21) 25477391/99876541

Da Redacao