S. Paulo – O Secretário da Justiça de S. Paulo, Luiz Antonio Marrey, expressou nesta sexta-feira (11/09), solidariedade em nome do Governo do Estado, ao funcionário da USP, Januário Alves de Santana, 39 anos, vítima de tortura nas dependências do Carrefour de Osasco, após ser tomado por suspeito de roubo do seu próprio carro – um EcoSport.
“Quero lamentar esse triste episódio e expressar ao senhor e a sua família, em nome do Governo, a minha solidariedade”, afirmou Marrey.
Santana estava acompanhado da mulher, Maria dos Remédios Santana, e dos advogados Dojival Vieira e Silvio Luiz de Almeida.
Mediação
Além de garantir que o Governo do Estado repudia qualquer forma de discriminação e de racismo, Marrey colocou a Secretaria da Justiça, à disposição para atuar como mediadora em eventual negociação para a definição extrajudicial da indenização por danos morais como aconteceu com os familiares das vítimas do acidente com o avião da TAM, que tiveram auxílio do Poder Público para alcançar acordos favoráveis em um período mais rápido que teria sido possível em um processo judicial.
O encontro foi solicitado pelo Secretário da Justiça e também foi acompanhado pela titular da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena, Roseli de Oliveira, e pela presidente do Conselho da Comunidade Negra de S. Paulo, Elisa Lucas Rodrigues.
Acompanhamento
Marrey disse que acompanha diariamente o desenrolar das investigações que vão apontar quem foram os cinco seguranças que torturaram Santana por mais de 20 minutos numa salinha, enquanto sua mulher, acompanhada de um filho menor, de uma irmã e de um cunhado da vítima, faziam compras. O caso está sendo apurado em Inquérito na 9º Delegacia de Osasco.
Uma Sindicância instaurada por determinação do Comando Geral da Polícia Militar apura no 14º Batalhão de Osasco, a responsabilidade dos policiais militares que atenderam a ocorrência e que, liderados por José Pina Neto, que, além de reforçarem a suspeição dos seguranças, não socorreram Santana, mesmo após este comprovar com documentos que o carro lhe pertencia.
Manifestação
Também na tarde desta sexta-feira, manifestantes concentraram-se em frente à sede do Carrefour, na zona Oeste de S. Paulo, para protestar contra a violência racista sofrida pelo funcionário da USP.
Com um carro de som cedido pelo Sindicato dos Comerciários de S. Paulo e acompanhados pelo deputado José Cândido (PT-SP), cerca de uma centena de ativistas gritaram palavras de ordem, sob o comando de Edson França, o coordenador geral da Unegro. Uma Comissão chegou a ser recebida por representantes do Carrefour durante a manifestação, que começou por volta das 15h e terminou às 17h.
Os manifestantes prometeram promover outras manifestações de protesto. Esta foi a terceira manifestação promovida por ativistas por conta da agressão racista na loja do Carrefour de Osasco.

Da Redacao