Rio Claro/SP – Depois de permanecer 15 dias entre a vida e a morte, na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Rio Claro, o guardador de carros, Benedito Santana de Oliveira, de 71 anos, atacado por neonazistas quando trabalhava vistoriando carros nas proximidades do Clube Ginástico, recebeu alta e já está em casa.

Ele foi liberado pelos médicos no sábado (20/04), porém, seu estado ainda exige cuidados, segundo os familiares que o acompanham na sua casa em Ipeúna, cidade próxima a Rio Claro. O guardador de carros ainda não fala e permanece o tempo todo deitado, sob o efeito de medicamentos.

O rosto e a cabeça – onde recebeu a maior parte dos chutes quando já estava desmaiado -, está mais desinchado, mas, segundo os filhos, Silvio e Emerson, ele ainda precisará ser acompanhado e ainda não se sabe as sequelas que ficarão, especialmente, as psicológicas.

Barbárie

O ataque aconteceu na madrugada do dia 06 de abril. Os criminosos Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos, respectivamente de 20 e 21 anos, permanecem presos na prisão de Itirapina e a família pede o reenquadramento do caso de lesão corporal de natureza grave, para tentativa de homicídio ou crime de tortura motivado por discriminação racial, conforme prevê a Lei 9455/97. Os dois são de Ponta Grossa, no Paraná, e suspeita-se que pertençam a célula neonazista envolvida em outros crimes naquele Estado.

Segundo o advogado Dojival Vieira, que esteve em Rio Claro a convite da família do idoso e da assessora de integração Racial da Prefeitura, Kizie de Paula Aguiar Silva, o delegado responsável pela prisão em flagrante dos acusados, enquadrou o ataque como lesão corporal  com perigo de vida, baseado apenas no fato de que, ao serem interrogados, os agressores disseram que "não tiveram intenção de matar".

“Ora, ignorar na investigação de que se está diante de homicídio tentado e não de mera lesão corporal, apenas pelo fato de os acusados no interrogatório afirmarem que "não tinham intenção de praticar homicídio e sim que o objetivo será simplesmente agredir a vìtima e que seus objetivos foram alcançados”, representa um estìmulo para que tais espécies de criminosos, verdadeiros predadores sociais, continuem à solta numa ameaça ao convívio social e à própria sociedade”, afirmou.

Segundo o advogado, o enquadramento como lesão corporal é a situação mais benéfica aos acusados, pois a pena prevista pelo Código Penal para esse tipo de crime vai de 1 a 5 anos de reclusão. Se forem acusados de tentativa de homicídio, poderão pegar penas de 6 a 20 anos, que podem ser reduzidas de 1/3 a 2/3 pelo juiz. No caso da tortura a pena varia de 4 a 10 anos e o crime é inafiançável e imprescritível.

Comissão de Direitos Humanos 

Enquanto isso, na Assembléia Legislativa de S. Paulo, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Adriano Diogo, deverá apresentar na reunião da próxima terça-feira (30/04), requerimento pedindo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a entrada da Polícia Federal no caso.

Segundo o deputado, há elementos que demonstram a presença de células neonazistas articuladas e em operação nos Estados de S. Paulo, Paraná, Minas Gerais e no Distrito Federal.

 

Da Redacao