Porto Alegre – Beneficiado por de ter tido o seu nome mantido em sigilo durante todo o processo pelo procurador e juízes do caso, o professor condenado pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF) por crime de racismo, chama-se José Antonio Costa, segundo revelou o Jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Quem revelou sua identidade foi a vítima: o agora agrônomo Ronaldo Santos de Freitas, hoje com 34 anos. Costa foi condenado a pagar multa equivalente a um salário de seu cargo.
Freitas, que hoje trabalha como coordenador de sustentabilidade de uma grande empresa de cosméticos de Belém (PA) comemorou a condenação e diz que nunca esqueceu o constrangimento sofrido na frente de sua turma na Faculdade Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Os professores são formadores de opiniões. Não se pode aceitar esse tipo de piada”, afirmou acrescentando que a condenação servirá de exemplo.
Ele lembra que a aula da cadeira de Leguminosas de Grãos Alimentícios era a primeira do semestre, e que Costa chegou a pedir desculpas. Depois de ouvir calado as piadas racistas, ele e mais três colegas foram à direção da faculdade pedir uma retratação. Uma sindicância chegou a ser aberta na UFRGS, mas concluiu que não havia conotação racista nas afirmações do professor. O ex-universitário diz que sofreu pressão para retirar a ação e quase desistiu da faculdade por causa do episódio. “Só queria estudar, mas virei motivo de piada para outros professores e colegas”, concluiu.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o professor teria dito durante a aula frases como: “os negrinhos da favela só tinham os dentes brancos porque a água que bebiam possuía fluor” e “negro é que nem inço em plantação de soja, uma vez que nasce é difícil de matar”.
O acusado defendeu-se alegando ter dito as frases sem intenção pejorativa e que valera-se de ditado corrente na zona rural. O advogado do professor Celso Santos Rodrigues, disse que ainda vai recorrer da decisão.

Da Redacao