S. Paulo – O pesadelo vivido pela enfermeira e ativista social Sônia Maria Lofredo começou quando, ao tentar trocar o aparelho com defeito, a funcionária que a atendeu exigiu que o telefone estivesse na caixa. “Cadê a caixa?”, teria lhe perguntado para, em seguida, acrescentar; “Sem caixa não efetuamos a troca”.
O Código de Defesa do Consumidor prevê que a troca e ou a substituição de produtos com defeito é uma obrigação da loja e um direito do consumidor e não prevê exigência de que esteja na embalagem.
Depois que atirou o telefone no chão, irritada e indignada pelo descaso, Sônia disse que passou a ouvir comentários racistas vindos do balcão. “Essa nega tá doida”, teria dito uma funcionária.
“Um homem de baixa estatura e muito forte com cicatrizes que pareciam queimadura chegou bem perto de mim e fez menção de me acertar um soco. Pela atitude pensei tratar-se de um segurança do supermercado, mas ele estava sem uniforme. Ele me agredia verbalmente e parecer fazer de tudo para que eu reagisse. Teve momentos de levantar o punho cerrado simulando um soco que chegava a milímetros do meu rosto e eu estava segurando a mão do meu filho de 10 anos”, contou.
Humilhações e ameaças
As humilhações, constrangimentos e ameaças não parariam aí, porque em seguida, ao buscar o filho de 12 anos e o amigo que ainda não haviam saído do cinema, foi seguida por outros dois seguranças do Carrefour e funcionários do Shopping. “Eu ouvia eles dizendo que impediriam a minha saída. Conseguiram nos reter quando eu encontrei com meu outro filho e o amigo que já haviam saído do cinema. Passaram a me pressionar me obrigando a ir para a tal salinha, até a chegada da viatura da Polícia”.
Já na salinha, segundo Sônia, os seguranças com a chegada da Polícia passaram a acusá-la de agressão à funcionária.”Os policiais (entre as quais uma mulher) alegaram que iam me algemar e me prender por desacato se eu não aceitasse ir para a Delegacia na viatura. Aleguei que estava com as crianças e que eu não iria expô-las. Me propus a ir a pé, pois moro do lado do Shopping Eldorado. Sugeri que me seguissem, mas eles não aceitaram e repetiam que se me recusasse iriam me algemar e me prender por desacato”, conta.
Depois de mais de uma hora de pressão, os policiais aceitaram que a enfermeira tomasse um taxi para deixar as crianças em casa, porém, ficaram aguardando a sua saída para levá-la ao 15º DP. “A Polícia aguardava na porta da minha casa para me levar para a Delegacia, como se eu fôsse uma criminosa, e me obrigaram a deixar três crianças em casa sozinhas, assustadas com as cenas de violência que assistiram”, acrescentou.

Da Redacao