Ilhéus/Bahia – O Inquérito 397/2010, que apura o caso da tortura à Mãe de Santo, Bernadete Souza Ferreira, foi aberto no dia 11 de novembro, a partir de Boletim de Ocorrência, registrado no dia 23 de outubro do ano passado.
Estranhamente, embora vítima, a Mãe de Santo aparece no B.O. como acusada de desacato aos policiais.
Segundo a denúncia feita por ela própria e corroborada pelas entidades negras da Bahia, sua prisão e tortura, aconteceram apenas porque, teria dito aos policiais que invadiram o Assentamento, que não poderiam invadir a área sem ordem judicial por se tratar de área sob jurisdição do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária).
Com a conclusão da investigação, agora caberá a promotora de Ilhéus, Geovana Souza Barbosa, decidir pelo arquivamento ou se determina a realização de novas diligências, inclusive, para a coleta dos depoimentos das duas testemunhas-chave segundo a delegada, e que, ao não comparecerem para depor, teriam inviabilizado o indiciamento dos acusados.
O caso da tortura à Mãe de Santo de Ilhéus teve forte repercussão na mídia da Bahia e do Rio de Janeiro, principalmente. Na época, a atual ministra da Igualdade Racial, socióloga Luiza Bairros, que ocupava a Secretaria da Igualdade Racial da Bahia, declarou que o governador Jacques Wagner teria ficado “perplexo” com o ocorrido.
Posteriormente, o próprio Wagner recebeu a Mãe de Santo, o marido e lideranças negras em seu gabinete, e prometeu apurar o caso.
Na época, porém, surgiram denúncias de que estava em marcha uma “Operação Abafa”, da qual participariam – por ação ou omissão – lideranças negras que teriam priorizado (por comprometimento com interesses partidários), a defesa de Wagner, alvo natural de desgaste político, uma vez que policiais militares acusados de torturar a Mãe de Santo, estão institucionalmente sob o comando do governador.

Da Redacao