Com um tsukahara estendido (uma pirueta com mortal de costas, com as pernas esticadas) Daiane levou a medalha de ouro na prova de solo. Segundo a Federação Internacional de Ginástica nenhuma negra havia até agora conseguido um bicampeonato em torneios de expressão da modalidade. Daiane foi campeã mundial em 2.003.
Além do bicampeonato, a ginasta gaúcha, que também comemorou o campeonato mundial conquistado pelo Internacional na vitória de 1 x 0 contra o Barcelona, em Tóquio, conseguiu cumprir uma promessa que havia feito antes da prova: mostrar com a vitória, a irracionalidade e o absurdo do racismo.
“Dizem que no nosso país não existe preconceito, não tem racismo. Tem, sim, e é um preconceito camuflado”, afirmou, lembrando o caso de uma sobrinha de quatro anos, que, brincando recentemente, dentro de uma loja em Porto Alegre, esbarrou em uma moça que acreditou estivesse sendo roubada.
“A mulher fez um escândalo. Ela surtou. Minha sobrinha é uma criança. Isso é revoltante, pois a cor da pele é insignificante. É nítida a diferença de tratamento que dão, por exemplo, ao meu primo quando estou com ele e quando ele está sozinho. É ridículo”, acrescentou.
Daiane foi descoberta em 1.995 quando brincava numa praça no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O bicampeonato também consolidou a posição de líder no ranking mundial de solo. Seu nome – Dos Santos – está inscrito no código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG).