S. Paulo – “Vocês deveriam ter vergonha disso”, foi a resposta de Carl Hart, o primeiro neurocientista negro a se tornar professor titular da prestigiosa Universidade de Colúmbia, em Nova York (EUA), ao ser barrado na recepção do Hotel Tivoli Mofarrej, um cinco estrelas, nos Jardins, em S. Paulo.

O caso aconteceu na última quinta-feira (27/08), quando Hart chegou ao hotel onde ficaria hospedado para ministrar uma palestra a convite do seminário do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim).

Ele fez o comentário ao constatar na platéia que era o único negro no auditório composto por advogados criminalistas e juízes.

O neurocientista, que falou sobre como a guerra às drogas tem sido usada para atingir certos grupos sociais vulneráveis, entre os quais, jovens pobres e negros, no Brasil e nos EUA, disse depois, em entrevista a Folha, que sua percepção mudou radicalmente sobre o tema depois que começou “a olhar para quem estava preso por crimes ligados às drogas nos EUA”.

"Apesar de os negros serem menos da metade dos usuários de drogas nos EUA, eles compõem muito mais da metade dos presos por causa de drogas. Um em cada três jovens negros americanos serão presos pelo menos uma vez na vida por causa das leis de drogas", explicou. "Ou seja, a guerra às drogas tem sido usada para marginalizar os pobres”, concluiu na entrevista. 

 

Da Redacao