S. Paulo – Pouco depois da entrevista concedida a Afropress, o reitor Carlos Vogt, responsável pelo Programa de Cotas para negros e indígenas lançado pelo Conselho de Reitores das Universidades estaduais Paulistas (CRUESP) com o aval do Governo do Estado, por meio de sua assessoria, se apressou em enfatizar que a proposta de reservar 50% das vagas para estudantes da escola pública e destes 35% para pretos, pardos e indígenas, valerá para os cursos mais concorridos. "Para cada curso e para cada turno”, acrescentou. O Programa de Inclusão Social no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP) não fala em cotas, mas em metas.

“Tomando como exemplo o curso de Medicina da USP em São Paulo, temos o seguinte quadro: do total de 175 alunos ingressantes em 2012, 31 são oriundos de escolas públicas (EP), 20 são pretos, pardos e indígenas (PPI) e 7 são EP+PPI [cursaram escola pública e são pretos, pardos e indígenas]. A meta perseguida é de pelo menos 88 alunos egressos de EP (50% do total) e, destes, pelo menos 31 de pretos, pardos e indígenas (35%). Portanto, considerando os dados de 2012, para cumprir a meta de 50%, seriam necessários mais 57 alunos egressos de escolas públicas (totalizando 88 alunos EP), dos quais 24 pretos, pardos e indígenas (totalizando 31 EP+PPI)”, afirmou.

São Paulo é o Estado com maior número de negros (pretos e pardos) do país, em números absolutos: 14,5 milhões, o equivalente a 34,6% da população, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

Unicamp

Ele citou o caso do curso de Medicina da Unicamp que, segundo dados de 2012, do total de 110 alunos que entraram, só 13 vieram de escolas públicas e apenas 14 eram pretos, pardos e indígenas – sendo três cursaram escolas públicas e eram pretos pardos e indígenas. “ Novamente, para atingir a meta de 55 alunos oriundos de EP (ou seja, 50% do total) e, destes, 19 PPIs (35%), faltariam 42 alunos egressos de escolas públicas, dos quais 16 deveriam ser PPIs”, assinalou.

Por outro lado, o Instituto Comunitário de Ensino Superior (ICES) será um curso sequencial, com status de curso superior, de caráter semi-presencial, e os estudantes serão selecionados por meio de notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Um outro ponto no PIMESP que gera contravérsia. Os que obtiveram aproveitamento de 70% no primeiro ano, poderão entrar em qualquer curso das FATECs, porém, os que obtiverem 70% no segundo ano, não terão automaticamente acesso a qualquer curso das principais universidades – USP, Unesp e Unicamp. Terão que entrar por um critério de classificação ainda não definido, segundo Vogt.

Supondo que os concluintes decidam por optar por Medicina na USP, por exemplo, não há garantia de que terão acesso, porque o número de vagas é limitado.

 

 

Da Redacao