Osasco/SP – O Hipermercado Walmart se comprometeu com a dona de casa Clécia Maria da Silva, 57 anos, vítima, em fevereiro do ano passado, de humilhações e constrangimentos praticados por seguranças, que resultaram na sua remoção para um Hospital onde chegou com forte crise hipertensiva e ameaça de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), a abrir o diálogo para tratar do caso.
A promessa foi feita na manhã dessa quinta-feira (16/02) pelo gerente de Prevenção de Perdas da loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco, Airton Said, a uma comissão liderada pela vereadora, Ana Paula Rossi, e formada pelo jornalista Nilson Martins, do Jornal “A Rua”, e por Black Jr., representante da Uneafro/Brasil.
A Comissão acompanhou dona Clécia e o seu advogado, Dojival Vieira, em mais uma tentativa de fazer com que a empresa reconheça e assuma suas responsabilidades no episódio. O gerente pediu a apresentação de uma proposta e garantiu que dará uma posição oficial, em reunião já marcada para o dia 1º de março, às 10h.
Manifestação
Enquanto a Comissão era recebida por Said e por Nelson Viticov, também da Gerência de Prevenção de Perdas, cerca de 50 pessoas – solidárias à luta da dona de casa – se concentraram na frente da loja com uma faixa com os dizeres “Há um ano busco Justiça”. A manifestação aconteceu exatamente um ano depois do caso e teve como objetivo exigir a mudança de postura da empresa.
Imagens do circuito interno de TV da loja mostram dona Clécia sendo abordada por cerca de 30 minutos submetendo-se a revista por parte do segurança. Enquanto tinha sua bolsa e sacolas revistadas ela conta que as pessoas a apontavam como ladra. “Olha a tiazinha roubando”, diziam segundo seu relato. A revista só terminou quando o segurança constatou, conferindo a Nota Fiscal, que todas as mercadorias haviam sido pagas.
Emoção
Ontem, na volta ao Hipermercado, dona Clécia se emocionou ao lembrar o caso. Disse que até hoje não se conforma com a humilhação a que foi submetida. “Eu quero Justiça”.
Said, que revelou ter assumido o posto na Gerência de Prevenção de Perdas há apenas um mês, negou que que esse seja o procedimento padrão da empresa.
Anteriormente, porém, todas as tentativas de abertura de diálogo foram frustradas. Os responsáveis pelo Walmart afirmavam nada ter a tratar com a dona de casa, uma vez que comportamento do segurança – identificado no Inquérito Policial como Robison de Oliveira – fora normal.
Oliveira admitiu, em depoimento a Polícia, ter sido ele o responsável pela abordagem, mas negou que tenha dito que “esse era o tratamento a ser dado a pessoas negras”.
Segundo o gerente, o funcionário não pertence mais aos quadros da empresa. Ele não soube dizer, porém, se a demissão ocorreu por causa do episódio.
Diálogo
Ana Paula Rossi, que é filha e herdeira política do ex-prefeito de Osasco e ex-deputado Francisco Rossi, afirmou que o caso não é isolado. “É fundamental que a empresa se disponha ao diálogo para que haja uma solução justa do problema”, afirmou.
De acordo com o advogado Dojival Vieira, ainda que o responsável não seja processado criminalmente, a empresa responde civil e administrativamente pelo comportamento do segurança.

Da Redacao