Rio – Fornecer preparo nos conteúdos sobre História da Africa, Cultura Africana e Culturas Afro-brasileira e indígena para a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, são os principais objetivos do workshop Guarini Amani 2013, que acontece no Rio no dia 18 de maio deste ano.

As duas leis, que são emendas a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e obrigam a inclusão da história e da cultura afro-brasileira e indígena nos currículos das escolas de ensino fundamental e médico, públicas e privadas, vem sendo ignoradas pelos sistemas de educação nos três níveis de Governo.

O título do workshop toma emprestado duas palavras – a primeira do tupi-guarani Guarini, que significa lutador, guerreiro, e a segunda Amani, da língua banto kiswahili, que significa paz. “A combinação dessas duas expressões nos ensina que a conquista e o engajamento são caminhos para a construção de uma sociedade que tenha condições de conhecer e reconhecer sua história, e, assim, mudar para melhor os rumos de sua caminhada”, explica a professora Rita de Cássia Barros, diretora da África Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais, empresa de consultoria que promove o workshop.

Segundo ela, que foi coordenadora Acadêmica do Instituto Superior Profissional Politécnico de Angola, a relação do Brasil com países africanos deve ocorrer “em todos os espaços sociais com todas as pessoas”. “Essa não deve ser apenas uma tarefa do Governo. A cooperação precisa ser pensada de forma descentralizada e, assim, incluir todos os setores sociais nesse processo relacional sul/sul, quer do segundo ou terceiro setores”, acrescenta.

A proposta dos organizadores do workshop, que tem o apoio da Editora FTD, Editora Selo Negro, Edições Paulinas e OlharIndígena.com, é que tenha caráter itinerante, ao menos uma vez por ano, sempre com conteúdos novos.

Leia, na íntegra, entrevista para a Afropress da professora Rita Barros.

Afropress – O que é o Guarini Amani 2013 e qual o objetivo do workshop?

Rita Barros – Guarini no dialeto tupi-guarani significa lutador, guerreiro, e Amani no dialeto banto kiswahili significa paz. A combinação dessas duas expressões nos ensina que a conquista e o engajamento são caminhos para a construção de uma sociedade que tenha condições de conhecer e reconhecer sua história e, assim, mudar para melhor os rumos de sua caminhada. Lutar e conquistar pode, e deve, ser uma experiência de crescimento e não de violência, e sim de paz. Paz não é inércia, paz é a condição da igualdade, do comprometimento e da solidariedade. Tais são os valores que sustentam a estrutura Guarini Amani 2013.

Guarini Amani é uma capacitação profissional interdisciplinar oferecida pela Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais e pela Global Logística e Empreendimentos que vai acontecer no dia 18 de maio de 2013. O objetivo do Workshop é fornecer preparo nos conteúdos sobre História da África, Cultura Africana e Culturas Afro-brasileira e Indígena para implementação das Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08. Nesse dia queremos oportunizar formação de excelência para agregar qualificação que faça diferença na atuação profissional, social, familiar, política e comunitária.

Todos podem participar desse evento: professores das redes pública e privada, estudantes do ensino médio a partir de 17 anos e universitários, agentes sociais comunitários, educadores sociais, agentes de pastoral, advogados, movimentos sociais, enfim, todos aqueles que se interessam por essa temática.

 

Afropress – Há quanto tempo é realizado o workshop e quais as novidades da edição deste ano?

RB – Estamos lançando o Workshop Guarini Amani nesse ano de 2013 e será um evento itinerante. Nossa intenção é a de realizá-lo no Rio de Janeiro, ao menos, uma vez por ano sempre renovando e aprimorando o conteúdo. Para o lançamento do Workshop contamos com o apoio da Editora FTD que nos auxilia na organização do material didático além de fornecer uma bibliografia para ser sorteada no evento, Editora Selo Negro, do OlharIndígena.com e também das Edições Paulinas. Para essa capacitação, nossos apoiadores também doaram uma série de coleções dentro dessa temática e faremos o sorteio entre os participantes do evento. São obras que vão desde contos africanos até obras acadêmicas, como a Coleção Retratos do Brasil Negro, por exemplo.

Afropress – Quem serão os palestrantes convidados?

RB – Para o lançamento do Workshop Guarini Amani a capacitação será realizada pelos Diretores da Africa Consuting e da Global Logística, como apresentado abaixo, eu, e o especialista Fabrício Nery, diretor da Global Logística e Empreendimentos e pós graduado em Logística Empresarial pela Universidade Cândido Mendes. Também teremos a presença de contadores de histórias, de músicos, além do excelente material pedagógico. Para os participantes do Workshop, daremos uma consultoria gratuita, on line, via Skype, após o evento, durante 10 dias.

Afropress – Quais as atividades que a Africa Consulting desenvolve regularmente e como vê a relação entre a população negra brasileira e os africanos de um modo geral?

RB – De opção preferencial pelo Continente Africano, nosso olhar está voltado para a Cooperação Internacional e para a Solidariedade. Além de realizar eventos formativos gratuitos como foi o “Tradições e Sussurros: a violência contra a mulher – desafios econquistas”, realizado no Espaço Cultural do Consulado de Angola, trabalhamos com consultoria em Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais, elaboração de Plataformas de Cooperação Internacional, projetos em desenvolvimento, workshops, congressos e seminários. E temos os cursos de pós-graduação lato sensu que coordenamos no ISEP, entre eles o curso de Estudos Africanos. Particularmente, projetos de desenvolvimento para o Continente Africano. Ações que realizamos em parceria com a Global Logística.

Sobre a relação entre população negra brasileira e os africanos de um modo geral vejo algumas coisas. Eu trabalho com África desde 2002 e morei nesse continente por um tempo e muito recentemente. Essa relação me toca de forma particular porque sou afrodescendente e também tenho descendência indígena. Mas quem é que no Brasil não tem essas descendências (risos…)? Os africanos, principalmente os de língua oficial portuguesa, sabem sobre o Brasil, porém os brasileiros não sabem sobre a África. A imagem que ainda perdura, no Brasil, desse continente é a imagem dos problemas.

Eu vejo como sendo algo muito necessário uma relação entre a população brasileira e as populações africanas que possa resultar em conhecimento e amizade. Não destaco somente essa importância para a população negra brasileira. É importante para todos os brasileiros. É impossível estar na África e não se reconhecer nela. Não sou africana, mas me reconheço nessa história. Quando converso com brasileiros que já viveram um tempo naquele continente, vejo que temos a mesma impressão. Por isso, cultivar essa relação entre brasileiros e povos africanos é enriquecedor. Precisamos desenvolver mais ações que facilitem esse relacionamento.

Afropress – Como você considera que pode acontecer a relação sul/sul (com a África), que é uma realidade no plano da diplomacia brasileira, especialmente, nos últimos 10 anos, no cotidiano da vida do povo brasileiro e dos vários países africanos.

RB – Eu acredito que essa relação deva ocorrer em todos os espaços sociais com todas as pessoas, e que as ações de cooperação internacional precisam favorecer esse relacionamento. Acredito que o Itamaraty e outras agências brasileiras trabalhem com essa orientação. Mas essa não deve ser apenas uma tarefa do governo. A cooperação precisa ser pensada de forma descentralizada e, assim, incluir todos os atores sociais nesse processo relacional sul/sul, quer do segundo ou terceiro setores. Ações que possam viabilizar o aprendizado mútuo, estreitamento de laços e acordos comerciais viáveis e benéficos, e o intercâmbio acadêmico, cultural e profissional visando desenvolvimento. Por exemplo, lembro que o professor de antropologia africana da minha equipe de pós-graduação é da República de Camarões. Foi ele que proferiu a aula inaugural do curso de Estudos Africanos. Um professor vindo do continente africano para falar sobre estudos africanos fez toda diferença.

Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.

RB – Já vi, pessoalmente, algumas coisas no continente africano e passei por experiências profundas no meu convívio com as pessoas que lá moram. Hoje, para mim, mais importante do que falar sobre a África e os africanos é falar com os africanos e com a África. Essa, em minha opinião, deve ser a tônica que fundamentará o relacionamento entre brasileiros e as pessoas que nasceram e vivem na África.

Não posso deixar de parabenizar a Afropress pelo importante trabalho que realiza, com qualidade e cuidado. E quero agradecer o convite da Afropress para essa entrevista sobre nosso trabalho e dizer que as portas da Africa Consulting estão abertas. Também quero convidar todos os seus leitores para o Workshop Guarini Amani 2013. Será um momento rico em troca de experiências e aprendizado. Podem fazer contato pelo telefone (21) 2278-3975 ou pelos e-mails: africa.consultingltda@gmail.com econtato@globalogistica.com.br.

 

Da Redação