José Dirceu reconhece o racismo como um assunto sério existente no Brasil e que deve ser encarado e discutido com toda a seriedade e frontalidade pela sociedade brasileira. Para ele, o próprio PT é um partido branco, apesar de contar com alguns deputados e senadores negros e da sua ligação histórica aos movimentos sociais negros no Brasil.
O ex-ministro do governo Lula assim se posicionou quando questionado para opinar sobre a desigualdade racial no Brasil, num evento realizado na passada quarta-feira em que foi convidado pelo King’s Brazil Institute, King’s College, Universidade de Londres, para falar sobre a atualidade política brasileira.
Dirceu apontou a integração regional e a aproximação com a África como as grandes conquistas da política externa brasileira durante o governo Lula, frisando que o Brasil não se pode desenvolver sem que os os vizinhos também se desenvolvam.
Reconhecendo a segurança pública e a saúde como sendo as áreas no topo das preocupações dos brasileiros, o ex-ministro assume, no entanto, a educação, a inovação tecnológica e a proteção do meio ambiente, sem fundamentalismos, como sendo os grandes desafios do Brasil nos anos vindouros.
No que toca ao PT, ele disse que este não deve ignorar as novas dinâmicas de mudança que o país vem vivendo, principalmente no âmbito geracional, onde se torna necessário prestar mais atenção a juventude e ao rejuvenescimento do partido.
Questionado sobre os efeitos do caso “mensalão” na sua carreira política e sobre se pensa, no futuro, candidatar-se a Presidência da República, José Dirceu disse que, de momento, pensa apenas em provar a sua inocência no referido caso.
Inconclusivo quanto a segunda parte da questão, o destacado petista deixou antever que aquela é uma hipotese não totalmente descartada, dependendo das circunstâncias.

José Dirceu falou com o jornalista Alberto Castro, Correspondente Internacional de Afropress, em Londres.