S. Paulo – O advogado Marco Antonio Zito Alvarenga é o novo presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo. Ele obteve o apoio de 22 dos 29 conselheiros presentes (75,8%), na primeira reunião do colegiado, aberta pela Secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eloísa Arruda.
“Recebo esse resultado com muita alegria e, sem dúvida, é o cargo de maior importância que já ocupei. Vou procurar representar toda a comunidade negra do Estado de S. Paulo. Prá mim, esse é um grande prêmio”, afirmou Zito.
O segundo colocado foi o presidente da AFROSAN (Associação Cultural dos Afro-Descendentes da Baixada Santista), José Ricardo dos Santos, que obteve seis votos. Maria Aparecida Pinto, a Cidinha, teve apenas um voto.
Junto com Zito foram eleitos para a vice-presidência, Ivan Renato de Lima, e Sueli Aparecida Gonçalves, para a secretaria. O Conselho é formado por 32 membros, sendo 22 da sociedade civil e 10 indicados por secretarias do Estado, e o mandato é de 4 anos. A ex-presidente Elisa Lucas Rodrigues não compareceu.
Abrir as portas
O novo presidente, que presidiu a Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB paulista, disse que o principal objetivo da gestão é abrir o Conselho para a comunidade. “As portas do Conselho estarão abertas para a adoção de uma política de inclusão e ação afirmativa”, acrescentou.
Nessa linha, uma das metas será a participação da comunidade negra paulista nas questões que mobilizarão a sociedade, como um todo. “A questão da Copa é um desses temas. O negro não pode só estar como jogador da seleção, mas participando de frentes de trabalho e em tudo o que a Copa vai trazer para o Brasil”, afirmou.
Autonomia
Zito que não tem ligação partidária – e cuja eleição é vista com esperança por quem defende que o Conselho deve representar a comunidade negra perante o Estado e não o Estado perante a comunidade negra, linha que segundo seus críticos, era adotada pela ex-presidente Elisa Lucas – adiantou como se relacionará com o Governo do Estado.
“O Conselho tem autonomia e terá todo espaço, mas não deixa de ser uma instituição pública. Vai fazer os embates e os enfrentamentos necessários para que o Estado nos reconheça. Não pode trabalhar cabisbaixo perante o Estado. Se o Estado reconhece a existência desse mal, o racismo, o Estado tem de adotar caminhos para revertê-lo”, afirmou, acrescentando que sua gestão “não será só de reivindicações mas de proposição, inclusive com a rticulação de políticas perante o Legislativo”.
O novo presidente do Conselho é procurador federal – carreira que passou a integrar por concurso público -, tem 58 anos, é casado com Zoé Elisa Costa Alvarenga, funcionária pública aposentada, tem três filhos e é avô de dois netos.
Ao ser cumprimentado pela vitória, ele fez questão de agradecer o apoio do ex-secretário de Justiça e Defesa da Cidadania, Hédio Silva Jr., e da presidente do INSPIR, Cleonice Caetano, dirigente do Sindicato dos Comerciários de S. Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Da Redacao